Crianças no crime
No chão da delegacia, os meninos brincam tentam dormir. Foram pegos roubando celulares a mando de um taxista. Junto com ele, foi preso o balconista de uma lanchonete que ajudava a esconder os telefones e também aparelhos de sons e relógios. É um caso rotineiro para os policiais que trabalham no centro de São Paulo.
“Ficam jogados na rua, se viciam em drogas, e acabam entrando para o mundo do crime”, diz Daniel Penuso, investigador de polícia.
Um tem 8 anos, os outros 9, 10 e o maior 14, mas mentiu a idade para não ser levado para a Febem e sim para o abrigo. Lá tomaram banho, mas nem a comida quente, os cuidados ou as oficinas conseguiram segurar os meninos. Horas depois três deles foram encontrados roubando de novo no mesmo lugar.
As crianças entraram e saíram do abrigo porque não há lei alguma que obrigue menor de 12 anos a ficar lá contra a vontade. Mesmo que sejam drogadas, sejam exploradas e pratiquem roubos elas podem entrar e sair quando quiserem.
O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que eles só podem ser convencidos a voltar para casa ou ficar no abrigo. Nem sempre é possível, nem sempre dá tempo ou pior.
“Pais de rua que vão buscar as crianças aqui porque estamos tirando a mão-de-obra de rua, do farol. E elas vão embora”, diz Roma de Mônaco, diretora do abrigo.
Para o juiz corregedor da Infância e Juventude, Reinaldo Cintra, em casos graves os menores poderiam ser retidos até encontrar a família. Ele é contra a privação de liberdade das crianças, mas defende punição rigorosa para os adultos que estão por trás delas.
“Seria uma das soluções viáveis que eu vejo, tentar fazer com que o adolescente, mesmo infrator, tenha chance de se recuperar, de ser um cidadão”, acredita o juiz.
Matéria exibida pelo Jornal Nacional.
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